Transfofa em Blog

Um espaço especial e pessoal, para dar relevo a cada momento único - Bem Vind@ ao meu Blog!

terça-feira, Fevereiro 28, 2006


GISBERTA


ASSASSINATO DE TRANSEXUAL EM PORTUGAL E BRANQUEAMENTO EM CURSO:
APELO URGENTE À ACÇÃO INTERNACIONAL!


O APELO
Perante um terrível assassinato que cada vez mais se configura como um crime de ódio, perante a omissão tendenciosa da componente sexual e transfóbica do mesmo, perante o desnorte da reacção da maioria das associações LGBT portuguesas que contribuíram para o grau de confusão e desinformação mediática, ao não serem capazes de informar devidamente sobre a verdadeira identidade da vítima nem sobre a diferença entre homofobia e transfobia, perante a clara tentativa mediática, política, de desculpabilização do crime em si, de omissão da componente "ódio" na morte de uma pessoa que acumulava tantas exclusões sociais, perante a tentativa de culpabilização da vítima, e de "abafamento" público deste caso, apelamos ao apoio urgente de todos os colectivos e entidades LGBT e de luta pelos direitos humanos em todo o mundo:

- no sentido de denunciarem o mais amplamente possível os factos ocorridos em Portugal, nomeadamente junto dos movimentos e media nacionais e internacionais;

- protestarem - com conhecimento às associações LGBT portuguesas - junto do Governo, das entidades oficiais, dos partidos políticos e dos meios de comunicação social portugueses ( os contactos seguem no final desta mensagem) pela forma como estão a tratar este caso. A carta-modelo também no final desta mensagem pode ser utilizada para o efeito;


- manifestarem junto das mesmas entidades e do movimento LGBT português, a sua solidariedade com os esforços que desenvolvemos para inverter esta situação dramática.

CONSIDERAMOS FUNDAMENTAL NESTA ALTURA UMA FORTE PRESSÃO INTERNACIONAL SOBRE PORTUGAL.

DOS FACTOS
Gisberta, imigrante brasileira, transexual, seropositiva, toxicodependente, prostituta e sem-abrigo, foi encontrada morta a 22 de Fevereiro no fundo de um fosso submerso com dez metros de profundidade, num edifício inacabado na cidade do Porto, a segunda cidade portuguesa. O crime foi confessado por um conjunto de 14 rapazes, entre os dez e os 16 anos, a maior parte deles provenientes de uma instituição de acolhimento de menores financiada pelo sistema de protecção de menores estatal mas ligada à Igreja Católica.
A partir desta confissão, pormenores do terrível acto têm vindo a ser conhecidos. A vítima mortal encontrava-se num estado de saúde profundamente debilitado, e era frequentemente perseguida pelos rapazes, vitima de insultos e agressões. A 19 de Fevereiro, um grupo destes rapazes penetrou no edifício inacabado e abandonado onde Gisberta pernoitava, amarrou-a, amordaçou-a e agrediu-a com extrema violência, a pontapé, com paus e pedras. O grupo confessou igualmente ter introduzido paus no anús de Gisberta, que apresentava grandes escoriações nessa zona do corpo, e tê-la abandonado no local. O corpo apresentava igualmente marcas de queimadura com cigarros.

A 20 e 21 de Fevereiro, voltaram ao local e repetiram as agressões. Na madrugada de 21 para 22 de Fevereiro, atiraram finalmente o corpo de Gisberta para o fosso, numa tentativa de ocultação do crime. A autópsia esclarecerá se então a vítima se encontrava ou não viva. O facto de o corpo não se encontrar a flutuar, mas sim submerso no fundo do poço parece indicar que esta faleceu por afogamento nesse momento.

DAS REACÇÕES E DA TRANSFOBIA GENERALIZADA
O caso foi amplamente divulgado pelos media portugueses nos dias 23 e 24 de Fevereiro, de forma errónea e tendenciosa. Enquanto parte da comunicação social nacional falava do assassinato de "um travesti", boa parte destes referiu apenas a condição de "sem-abrigo" ou de "sem-abrigo, prostituta, toxicodependente" de Gisberta, referida também por parte da imprensa como Gisberto, o seu nome legal. Em consonância com esta omissão, desde logo, antes mesmo de serem conhecidos quaisquer pormenores sobre o crime ou sobre a própria identidade e características pessoais da vítima, inúmeros jornais deram eco a artigos de comentadores conhecidos pela sua oposição aos direitos LGBT em Portugal, sustentando que o caso não podia ser classificado como um "crime de ódio" e que não seria legítimo considerar qualquer possível relação com a transexualidade de Gisberta entre as motivações para o assassinato. A argumentação utilizada nesse sentido foi invariavelmente a idade menor da maioria dos confessos agressores.

Ao mesmo tempo, foram e continuam a ser ignorados pelos media os comunicados emitidos pelas associações lgbt portuguesas, nomeadamente os posicionamentos das Panteras Rosa e da associação trans (ªT.), esclarecendo a "transexualidade" e identidade da vítima e exigindo medidas legais e sociais de combate às discriminações e de protecção contra os crimes de ódio em função de identidade de género, orientação sexual, condição social, doença ou origem nacional, embora tenha sido superficialmente noticiada uma vigília de solidariedade com Gisberta apoiada pelas associações LGBT que teve lugar na noite de 24 de Fevereiro, mas, mais uma vez, os media omitiram a argumentação das associações no sentido de não se ocultar a transexualidade da vítima nem que a discriminação transfóbica pudesse estar entre as prováveis motivações para o crime.

Evitando falar em "crime de ódio" com o argumento da idade dos agressores, e com a excepção de poucos políticos que se expressaram individualmente, nenhum partido político português emitiu uma posição sobre o crime ou o condenou publicamente. Do governo, a única reacção até ao momento veio do ministro responsável pelas instituições de menores que se limitou a declarar-se "chocado", sem mais palavras ou comentários, e a instaurar um inquérito à instituição que acolhia os agressores. Estes, à excepção de um rapaz de 16 anos, já responsabilizável criminalmente e que se encontra em prisão preventiva, foram devolvidos à instituição e encontram-se em regime de semi-liberdade. Nenhuma outra medida foi tomada quanto aos agressores.

Nenhuma fotografia da vítima foi publicada na maioria dos jornais. Os media e os comentadores concentraram o "choque" pelo crime na idade dos agressores, e não no resultado da morte de uma cidadã. Deram eco a insinuações do padre responsável pela instituição de menores, que chegou a afirmar publicamente que um rapaz da instituição estaria a ser "molestado" por um pedófilo, o que seria uma "circunstância atenuante". Estas declarações não levaram à publicação de qualquer reacção pública de indignação. Ao contrário da prática corrente, os dados revelados dia 24 sobre as sevícias sexuais sofridas pela vítima, bem como a possibilidade de esta se encontrar viva quando foi atirada ao fosso, apenas foram publicados uma por um jornal do Porto. Apenas quatro dias após ter sido denunciado o crime, o silêncio dos media sobre ele é neste momento quase absoluto, e tudo indica que assim vai continuar.

Jó Bernardo
Sérgio Vitorino


SUGESTÃO DE CARTA-MODELO DE PROTESTO:
Exm@s. Senhores/as:

Tomámos conhecimento que Gisberta, imigrante brasileira, transexual, seropositiva, toxicodependente, prostituta e sem-abrigo, foi encontrada morta a 22 de Fevereiro num edifício inacabado na cidade do Porto e que o crime foi confessado por um conjunto de 14 rapazes, entre os dez e os 16 anos, a maior parte deles provenientes de uma instituição de acolhimento de menores ligada à Igreja Católica.

Sabemos igualmente que a vítima mortal era frequentemente perseguida pelos rapazes, com insultos e agressões. Sabemos que segundo os relatos, a 19 de Fevereiro, um grupo destes rapazes entrou no edifício onde Gisberta pernoitava, amarrou-a, amordaçou-a e agrediu-a com extrema violência, a pontapé, com paus e pedras. Que o grupo igualmente terá introduzido paus no anús de Gisberta, que apresentava grandes escoriações nessa zona do corpo, a queimou com pontas de cigarro e abandonou-a no local. Que a 20 e 21 de Fevereiro, voltaram ao local e repetiram as agressões. Que na madrugada de 21 para 22 de Fevereiro, atiraram finalmente o corpo de Gisberta para o fosso, numa tentativa de ocultação do crime, e que a autópsia esclarecerá se então a vítima se encontrava ou não viva, embora o facto de o corpo não se encontrar a flutuar, mas sim submerso no fundo do poço, pareça indicar que esta faleceu por afogamento nesse momento.


Tudo indica que o caso foi amplamente divulgado pelos media portugueses nos dias 23 e 24 de Fevereiro, mas de forma errónea e tendenciosa. Enquanto parte da comunicação social nacional falava do assassinato de "um travesti", boa parte destes referiu apenas a condição de "sem-abrigo" ou de "sem-abrigo, prostituta, toxicodependente" de Gisberta, referida também por parte da imprensa como Gisberto, o seu nome legal. Em consonância com esta omissão, desde logo, antes mesmo de serem conhecidos quaisquer pormenores sobre o crime ou sobre a própria identidade e características pessoais da vítima, inúmeros jornais deram eco a artigos de comentadores conhecidos pela sua oposição aos direitos LGBT em Portugal, sustentando que o caso não podia ser classificado como um "crime de ódio" e que não seria legítimo considerar qualquer possível relação com a transexualidade de Gisberta entre as motivações para o assassinato, tendo sido argumentação utilizada nesse sentido foi invariavelmente a idade menor da maioria dos confessos agressores.

Sabemos também que, simultaneamente, foram e continuam a ser ignorados pelos media os comunicados emitidos pelas associações lgbt, nomeadamente os comunicados do movimento Panteras Rosa e pela associação trans portuguesa (ªT.), esclarecendo a "transexualidade" e identidade da vítima e exigindo medidas legais e sociais de combate às discriminações e de protecção contra os crimes de ódio em função de identidade de género, orientação sexual, condição social, doença ou origem nacional, embora tenha sido superficialmente noticiada uma vigília de solidariedade com Gisberta apoiada pelas associações LGBT que teve lugar na noite de 24 de Fevereiro. Mas, mais uma vez, os media portugueses omitiram a argumentação das associações representadas no sentido de não se ocultar a transexualidade da vítima nem que a discriminação transfóbica pudesse estar entre as prováveis motivações para o crime.

É sabido também que, evitando falar em "crime de ódio" com o argumento da idade dos agressores, e com a excepção de poucos políticos que se expressaram individualmente, nenhum partido político português emitiu uma posição sobre o crime ou o condenou publicamente. Que, do governo português, a única reacção até ao momento veio do ministro responsável pelas instituições de menores que se limitou a declarar-se "chocado", embora instaurando um inquérito à instituição que acolhia os menores. Que estes, à excepção de um rapaz de 16 anos já responsabilizável criminalmente e que se encontra em prisão preventiva, foram devolvidos à instituição e se encontram em regime de semi-liberdade sem que seja conhecida qualquer outra medida destinada aos confessos agressores.

Estranhamos, tal como as associações LGBT portuguesas, que a maioria dos jornais não tenha publicado nenhuma fotografia da Gisberta , de forma a atribuir publicamente, pelo menos, um rosto humano à vítima. Estranhamos que os media portugueses e os seus comentadores tenham concentrado o "choque" pelo crime apenas na idade dos agressores, e não tanto no resultado da morte de uma cidadã. Que tenham dado eco a insinuações do padre responsável pela instituição de menores, que chegou a afirmar publicamente que um rapaz da instituição estaria a ser "molestado" por um pedófilo, o que seria uma "circunstância atenuante".

Estas declarações não levaram à publicação de qualquer declaração pública de indignação.

Estranhamos também que os dados revelados dia 24 sobre as sevícias sexuais sofridas pela vítima, bem como a possibilidade de esta se encontrar viva quando foi atirada ao fosso, apenas tenham sido publicados uma vez isolada por um jornal do Porto. Não compreendemos que, apenas quatro dias após ter sido denunciado o crime, haja um subito silêncio da quase generalidade dos media portugueses sobre este crime.

Perante um terrível assassinato que se configura como um muito provável crime de ódio, perante a omissão tendenciosa da componente sexual e transfóbica do mesmo, perante uma aparente tentativa mediática e política de desculpabilização do crime em si, de omissão da componente "ódio" na morte de uma pessoa que acumulava tantas exclusões sociais, perante tentativas de culpabilização da vítima e de "abafamento" público deste caso, vimos por esta via expressar

- A nossa total solidariedade com a vítima e com @s activistas portugueses que se encontram a tentar esclarecer os factos, a honrar a memória de Gisberta e a exigir medidas de prevenção e combate às discriminações, sem excluir legislação de protecção contra os crimes transfóbicos, lesbofóbicos, homo ou bi-fóbicos.

- A nossa exigência de respeito pelas posições defendidas por parte d@s mesm@s activistas, e de efectivação das medidas que estes têm vindo a defender como urgentes;

- A nossa total incompreensão para com o comportamento dos responsáveis políticos e dos media portugueses na gestão deste caso, para com a deturpação dos factos ocorridos e a ausência de respostas adequadas à gravidade da situação descrita. Uma situação de desrespeito pelos direitos humanos mais elementares, que não podemos qualificar apenas de inadmissível num país da União Europeia em pleno século XXI.

CONTACTOS PARA ENVIO DE PROTESTOS:

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA belem@presidenciarepublica.pt
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS escrever on-line em http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Geral/Contactos (limite 4000 caracteres)

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Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro gseapm@pm.gov.pt

Ministro de Estado e da Administração Interna gabinete.ministro@mai.gov.pt

Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local gseaal@seaal.gov.pt

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ministro@mne.gov.pt

Ministro dos Assuntos Parlamentares map@map.gov.pt

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Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social gmtss@mtss.gov.pt

Secretário de Estado da Segurança Social gabinete.sess@mtss.gov.pt

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Ministra da Educação gme@me.gov.pt

Secretário de Estado Adjunto e da Educação se.adj-educacao@me.gov.pt

Secretário de Estado da Educação se.educacao@me.gov.pt

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Secretário de Estado da Saúde gses@ms.gov.pt

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Bispo Auxiliar do Porto domantoniocarrilho@diocese-porto.pt

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PortugalGay.PT info@portugalgay.pt
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domingo, Fevereiro 26, 2006

Comunicado de Imprensa conjunto da ªt e do Movimento Panteras Rosa- Sábado, Fevereiro 25, 2006

ASSASSINATO DE GISBERTA DO CRIME, DO ÓDIO, DO BRANQUEAMENTO EM CURSO, DA NOSSA CÓLERA!


Provavelmente lançada ainda viva ao fosso. Vítima não apenas de agressão, mas também de sevícias sexuais. A cada dia aumenta a nossa indignação com a forma como o assassinato de Gisberta tem vindo a ser noticiado, comentado e "branqueado". Estranhamos que as televisões, hoje, ignorem a informação chocante revelada pelo JN de hoje: existe uma clara componente sexual neste crime. A vítima ter sido alvo de uma particular forma de tortura, a inserção de objectos no seu anús, é para ignorar?

O padre Lino Maia, presidente da União das IPSS, afirmou ontem que os rapazes teriam "circunstâncias atenuantes", porque um seu colega andaria a ser assediado por um pedófilo. Perante um assassinato, a Igreja tenta culpabilizar a população LGBT, associando-a à pedofilia. Declarações que só reforçam a convicção da motivação discriminatória. Este padre tenta desculpabilizar a instituição que dirige e os jovens à sua guarda: ao dizer que os rapazes fizeram “justiça pelas próprias mãos” por um alegado episódio não-relacionado com a vítima, está precisamente a definir um crime de ódio.

"Como foi possível?", pergunta o jornal Público de ontem. “Como foi possível que ainda não tivesse acontecido?”, respondemos. Ou não conhecemos o sistema de protecção de menores que mais não é que a continuação do abandono e dos maus tratos? Não sabemos da violência da exclusão social e de como é promovida? Não sabemos da discriminação dos sem-abrigo, seropositivos, prostitut@s, homossexuais, ciganos, imigrantes e particularmente trans, que até na comunidade gay são fortissimamente excluíd@s?

No Público lê-se "acção mais inconsciente que premeditada". O que há de inconsciente e não premeditado no insulto transfóbico e na agressão continuadas por quatro dias, no extremar progressivo da violência, na tortura e sevícia sexual? No atirar de um corpo a um poço sem verificar efectivamente se estava com vida?

É vergonhoso que ainda hoje os media desconheçam a diferença entre transexual e travesti, homofobia e transfobia, orientação sexual e identidade de género. Os jornalistas deviam questionar seriamente a sua consciência profissional, os seus próprios preconceitos, a abordagem mediática à questão dos direitos LGBT, com particular incidência sobre a população trans, a mais gozada, desfavorecida, desprotegida e incompreendida no universo mediático e na sociedade.

Parte da comunicação social referiu apenas: "sem-abrigo". Não cabe aos jornalistas - nem a ninguém - decidir se foi a característica "sem-abrigo" – ou outra - o que pesou. Infelizmente, coube ao preconceito. Gisberta acumulava exclusões, nenhuma delas pode ser omitida. Transexual que era, e vítima da transfobia. Muito mais do que enumerá-las todas, omiti-lo é esconder prováveis elementos explicatórios e querer atribuir ao crime, sem informação que o sustente, uma ou outra motivação. É, mesmo que não queira sê-lo, manipulação grosseira e reforço da discriminação.

É escandaloso o silêncio dos partidos e responsáveis políticos, mesmo com o argumento previsível de que não será evidente falar-se em "crime de ódio" com menores envolvidos. A questão não está em criminalizar "crianças" de menor idade. O Estado que assuma as responsabilidades que nunca assumiu sobre as que são "crianças". Que puna quem tem idade para ser responsabilizado. Mas não se confundam "crianças" com "jovens", e, não esquecendo a idade dramática de parte do grupo, não se desculpabilize o crime e o preconceito em si. Os sentimentos que geram o ódio são da responsabilidade dos adultos e de quem dirige o país.

Não nos perguntaremos se as crianças são capazes de odiar. A sociedade portuguesa odeia, e é nela que as crianças crescem. O ódio anti-lgbt e não só, especificamente a transfobia, é um problema social grave que se reproduz entre gerações. A questão só está e só pode estar nas medidas de combate e PREVENÇÃO das discriminações e desigualdades no seu conjunto. No caso LGBT, no reconhecimento de igualdade e legitimação social. Sim, desta vez, foram "jovens". Mas as agressões transfóbicas e homofóbicas em Portugal aumentaram nos últimos dois anos, não foram cometidas por jovens, e a regra tem sido o silêncio e o esquecimento.

E da próxima? Esperaremos por um novo crime de ódio, cometido por adultos, para tomar posição? Para agravar na Lei (não em função da idade) os crimes e as discriminações com base na condição social, estado de saúde, transfobia, homofobia, etc? Para implementar a Educação Sexual nas escolas, educando contra os preconceitos? Para enfrentar o inferno que é o sistema de (des)protecção de menores? Para investir em políticas de igualdade?

Movimento Panteras Rosa – Frente de Combate à Homofobia
ªt. - Associação para o Estudo e Defesa do Direito à Identidade de Género

Uma série de perguntas veio à minha cabeça:
- Como podem determinados órgãos de comunicação social continuar a tratar a Gisberta no masculino? Não tiveram hipótese de ver o cadáver? Ou nem sabem informar-se sobre quem foi a vítima? Nem sequer conseguiram arranjar uma foto que fosse da vítima? Será que esta pessoa, da qual posto aqui a foto, alguma vez seria confundida com um homem?

- Será a idade dos adolescentes uma justificação para uma despenalização de um crime destes? Poderá alguém cometer um crime e ter como circunstância atenuante a idade? Cometeram o crime, apesar de inocentes criancinhas (leia-se jovens), terão de suportar as consequências desse acto. De outro modo, futuramente tornarão a inocentemente cometer mais crimes destes, pois sabem que serão desculpabilizados.

- Pergunto-me também que valores lhes estarão a ser transmitidos pela instituição onde estavam, da qual alguns responsáveis têm vindo a público tentar culpabilizar quem foi assassinado, chegando ao ponto de afirmarem que a Gi os assediava? Claro que para alguém na condição dela, o indicado seria mesmo assediar meia dúzia de jovens que segundo parece nem tinham onde cair mortos. É que sendo ela uma trabalhadora sexual, seria de esperar que assediasse quem lhe pudesse pagar.

- Como é possível que não se veja que ela foi atacada precisamente por ser quem era? Uma transexual (ainda cedo que eles pensassem que era travesti, pronto)? Como é possível que falem tanto em homofobia, quando se trata claramente de um crime de transfobia? Ou somos só meia dúzia a ver isso? Ou andará alguém a querer aproveitar-se disso?

- E não ouvi nenhum depoimento dos nossos sempre tão atentos e cuidadosos políticos. Será que era por ela ser apenas uma transexual? É que se fosse uma pessoa, já deviam andar com frases bombásticas na comunicação social. Mas como era só uma trans, na boa... (<--ironia)

sábado, Fevereiro 25, 2006

Assassínio
Desta vez em nossa casa, aqui no pacato Portugal, de onde líamos muitas e variadas notícias sobre casos similares, mas sempre "lá fora".
Pois bem, o "état de grace" acabou. Tal como com as torres gémeas nos EUA, também aqui se acabou com o mito que estas coisas só acontecem aos outros.
Desta feita, tocou-nos a nós.
Gi, uma transexual brasileira que habitava no Porto e que foi das pioneiras dos espectáculos de travesti, foi violentamente assassinada, com requintes de malvadez, por um grupo de adolescentes. Pedradas, murros e sabe-se lá que mais.
A partir de agora, já não basta lutar contra a homofobia, a transfobia fez a sua entrada.
Que a Gi descanse em paz.


Para Gisberto há muito que ficara para trás o glamour das noites do Porto, onde desfilava clássicos como Marylin Monroe ou o musical Cats em casas como o Moinho de Vento, Bustus ou Sindicato, referências da noite gay. O brasileiro, de 45 anos (segundo o comunicado da PJ), foi um dos pioneiros do circuito travesti da cidade, mas "há muito que não se sabia dele", disse ao DN um elemento da comunidade travesti local. (um pequeno background sobre a Gi).

"Acção inconsciente"

O Público de hoje é uma pérola sem igual:
- chama "homem vestido de mulher" a uma transexual
- cita a polícia dizendo que esta acredita que se tratou de uma "acção inconsciente" por parte dos jovens. Foi inconsciente moerem-na de pancada todos os dias aos gritos de "paneleiro", como nos relataram ontem pessoas que a acompanhavam num projecto de apoio à prostituição?
- O José Manuel Fernandes consegue chorar lágrimas de crocodilo pela morte, omitindo, claro está, qualquer referência à motivação homofóbica.
Porra para isto!
(Comentário de Sérgio Vitorino via El Gêbêtê)

Comunicado de Imprensa
da ªt. Associação para o estudo e defesa do direito à identidade de género

A “ªt.” repudia a forma brutal como a transexual Gisberta foi barbaramente assassinada no Porto por um punhado de adolescentes, que supostamente, face aos dados já conhecidos, cometeram um crime, não só cruel, como premeditado e continuado.

Por outro lado a “ªt” vem também publicamente, lamentar a forma como de um modo geral a comunicação social tem tratado este caso, inclusive alguns comentadores altamente responsáveis, demonstrando uma total e flagrante ignorância sobre as diferenças na terminologia que diferenciam travestis de transexuais, para não falar no cúmulo de alguns cabeçalhos que lhe atribuem descaradamente o género de homem sem atender à especificidade da pessoa em causa.

A “ªt.” preocupa-se com os discursos enunciados posteriormente por alguns funcionários de instituições sociais, que possam transparecer qualquer sentido de desculpabilização do acto perpetrado pelos adolescentes e cuja forma continuada demonstra claramente a intencionalidade do crime.

A transexual Gisberta, devido ao seu estado extremamente crítico, em que se encontrava nestes últimos tempos, estava em fase de acompanhamento por parte da associação Abraço e da “At.” e surpreende-nos que, tendo em consideração o seu estado de saúde profundamente débil, estivesse em condições físicas e psicológicas de enfrentar, confrontar e provocar um grupo alargado de jovens aparentemente saudáveis.

A “ªt”. lamenta profundamente o desenrolar desta situação, que cremos, deveria levantar outras questões de maior profundidade em matérias tais como o acompanhamento geral dos adolescentes em causa, as instituições em que se encontram inseridos, a responsabilidade e indiferença da sociedade no seu conjunto, e o desconhecimento generalizado na informação que a comunicação social fornece, particularmente neste caso, e que denigre ainda mais a situação, por si só, já extremamente sensível da pessoa assassinada, ajudando a fomentar a ignorância que a população em geral tem sobre a realidade em que os transexuais vivem.

Mas em definitivo, e o mais importante a realçar agora, é de que nada justifica este acto criminoso perpetrado contra um ser humano, independentemente da sua condição social, actividade, orientação sexual e inclusivamente de identidade de género.

Lisboa, 24 de Fevereiro de 2006.

Jó Bernardo

Pela Direcção

Comunicado: Morte violenta de transexual no Porto

24 de Fevereiro de 2006

A rede ex aequo vem por este meio manifestar a sua indignação e condenar os actos dos jovens que conduziram à morte de uma cidadã transexual no Porto, no passado fim-de-semana.

Embora ainda não seja do conhecimento público as motivações dos jovens é fácil inferir que ser uma cidadã transexual, toxicodependente e sem-abrigo terão constituido factores (também) propulsionadores deste acto violento, com particular destaque para o primeiro dos factores enumerados.

Não só o artigo 13º da Constituição Portuguesa, sobre o príncípio da igualdade, peca ainda pela grave ausência da identidade de género no mesmo, mas também urge, sem falta, como nos demonstra este caso, que seja implementada uma lei contra crimes de ódio por motivos transfóbicos e homofóbicos.

Vivemos numa sociedade que não sendo perfeita, se quer cada dia mais justa e humana. É fundamental que estas alterações sejam introduzidas na lei de modo a criar mais meios que procurem evitar que mais seres humanos sejam vítimas de crimes hediondos como este.

A Direcção da rede ex aequo

terça-feira, Fevereiro 21, 2006

Finalmente estreia aqui em Portugal, cá no nosso miserável burgo, a 23 de Fevereiro...

TRANSAMERICA

Realização: Duncan Tucker
Com: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan, Elizabeth Peña, Graham Greene
Site oficial
:
Transamerica
Género: Comédia/Drama
Distribuição: Lusomundo
EUA, 2005
103 min


Transamerica

A vida é mais que a soma das suas partes

Bree, uma mulher transsexual com uma educação superior, vive num bairro pobre de Los Angeles tendo dois empregos para poder pagar uma cirurgia de transformação sexual final.

Um dia, ao receber um telefonema de Toby, um adolescente à procura do pai e que se encontra preso, Bree, escandalizada, descobre que um desastroso encontro heterossexual, durante a sua vida como homem, resultou num filho. O instinto de Bree diz-lhe para virar as costas ao passado, mas a sua terapeuta insiste que ela deve enfrentá-lo...

Com muito custo, Bree usa o seu precioso fundo para pagar a operação e parte para Nova Iorque para pagar a fiança e tirar Toby da prisão. Libertado por esta mulher e sem qualquer explicação, Toby pensa que pelo seu aspecto conservador, Bree será uma missionária cristã que salva as pessoas da rua e as converte ao cristianismo, situação esta que agrada a Bree.

Quando fica a saber que o sujo e despenteado Toby planeia fugir para Los Angeles para trabalhar em filmes pornográficos e procurar pelo pai, entra em pânico e decide então oferecer-lhe uma viagem pelo país, com o objectivo secreto de abandoná-lo junto do padrasto, de quem Toby fugira. Toby aceita, acostumado a receber ofertas em troca de favores sexuais.

À medida que mentem e tentam manipular-se mutuamente, Bree e Toby lançam-se numa surpreendente jornada numa viagem ao coração de um continente – TRANSAMERICA.

“A comédia americana mais original do ano” - Armond White, NEW YORK PRESS
“De rir às gargalhadas, mordaz e fundamentalmente comovente” - Eddie Cockrell, VARIETY
“Huffman oferece-nos uma extraordinária interpretação” - Eleanor Ringel Gillespie, ATLANTA JOURNAL-CONSTITUTION

Fonte: Cinema SAPO/Lusomundo

"A Soap," a film about a straight woman who falls in love with a transsexual man, came away with two prizes over the weekend. But what's the fascination? SPIEGEL ONLINE spoke with the film's director Pernille Fischer Christensen about the gender confusion in all of us.



Nádia detida

Madeirense arrisca pena de prisão

Nádia Almada, a transexual portuguesa que venceu o ‘Big Brother 5’, do Reino Unido, em 2004, foi detida quinta-feira. Os genes masculinos falaram mais alto e, após uma discussão, a madeirense acabou por agredir um homem de 24 anos num bar situado no Norte de Londres.

La Audiencia de Granada condena a 18 años de prisión a un hombre que abusó sexualmente de un transexual

La Audiencia provincial de Granada ha condenado a 18 años de prisión a un hombre, F.C.T., por dos delitos de agresión sexual después de que obligara a otro, que es transexual, a mantener relaciones, según la sentencia a la que tuvo acceso hoy Europa Press.

Un film transgenre récompensé à Berlin

Samedi, le jury du Festival de Berlin a attribué l'Ours d'argent et le prix spécial du jury à En Soap, film suédo-danois dont l'une des héroïnes est transsexuelle.

Berlin 2006 Prix
Victoire en deux épisodes pour A Soap

Samedi soir, à la cérémonie de clôture de la 56ème Berlinale, A Soap, premier film de Pernille Fischer Christensen, a remporté le Grand Prix du Jury – Ours d'argent du meilleur film (ex aequo avec Offside de Jafar Panahi) et le prix du meilleur premier film. A Soap, qui faisait partie des favoris de la compétition, s'inspire des feuilletons télé et des clichés qu'on y trouve sur l'amour et pourtant, avec l'aide du scénariste confirmé Kim Fupz Aakeson, Pernille Fischer Christensen propose une histoire d'amour très peu conventionnelle entre Charlotte (Trine Dyrholm), 32 ans, et sa voisine du dessous, le transexuel Veronica (David Dancik).

Film on transsexuals working in Israel wins prize

A documentary about transsexual workers from the Philippines in Israel won three awards in this year's Berlin Film Festival. Though it did not reap any of the top prizes, "Bubot Niyar," or "Paper Dolls," directed by Tomer Heymann, clearly was a favorite among those attending the 56th annual festival.

segunda-feira, Fevereiro 20, 2006

En primer término, quizá resulte obligado precisar el concepto de transexualidad en un intento por llegar a comprender su significado último. En este sentido, podríamos establecer dos líneas genéricas cuyos distintos planteamientos de base han generado perspectivas dispares, cuando no antagónicas, en relación al tema.

A Wichita resident has begun a new life as a woman.
Lisa was determined not to talk about the surgery that gave her a new life.

Thannya Melissa Guido, que hoy tiene 33 años, se fue del país en diciembre del 2001 y ahora busca asilo político por discriminación.

domingo, Fevereiro 19, 2006


Gender Jumping in Berlin
Transsexuals, Gendernauts and Hermaphrodites Hit the Silver Screen

If you thought "Brokeback Mountain" was pushing the gender envelope, check out the films being shown at the Berlin International Film Festival this month. From transvestites to hermaphrodites, Berlin has it all.

Photo Gallery: Gender Dysphoria in Berlin

sábado, Fevereiro 18, 2006

«Ahora sí soy la del espejo»
Ana, una transexual de 24 años, relata su 'encierro' en un cuerpo que no sentía suyo y su liberación al iniciar el proceso que concluirá con una operación de cambio de sexo.

Police are looking for the person who shot and killed 21-year-old Ray Berry, a pre-op transsexual known as "Tiffany."

Guatemala's human rights ombudsman said on Thursday he believed four police officers were behind the shooting last December of two transvestite sex workers, one of whom was killed.

sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

Num momento

Num momento que nada mais é que o resultado de incontáveis momentos precedentes

Num momento a que se seguirá uma eternidade de momentos

Num momento que não sente, não morre, não vive

Num momento que nada mais é que um ponto numa linha temporal

Num único momento em que tanta coisa pode mudar

Num momento que baste para mudar subitamente toda a nossa vida

Num momento muda-se de disposição, de um sol radioso sob o qual nos sentimos felizes, alegres e contentes para uma tempestade medonha e fria

Num momento transita-se da vida para a morte

Num momento se muda da alegria para a tristeza

Num momento se muda da felicidade para uma dor incomensurável

Num momento pode-se ficar a amar

Num momento pode-se aprender a odiar

Num momento pode-se construir castelos no ar

Num momento pode-se sonhar

Num momento pode-se ver castelos e sonhos a ruir

Num momento tem-se esperança num futuro mais radioso

Num momento perde-se toda a esperança

Num momento

quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

Italy's first transgender parliamentary candidate is about to enter the political scene as the campaign season officially gets underway.

The curiosity factor isn't hard to fathom. After all, Felicity Huffman, best known as a Desperate Housewife, has already won a Golden Globe and is now in the running for an Oscar for playing a character born as a man but living as a woman.


Les trans au PS
Douze militants d'Act Up-Paris et du Groupe activiste transexuel ont occupé, mardi, les bureaux du Parti socialiste à Paris, actionnant des sirènes, s'allongeant et criant «Hollande méprise les trans!».

Argentina - Comunidad transexual denunció persecucion en La Rioja y prepara marcha


Reconocen su militancia por los derechos del colectivo transexual
CARLA ANTONELLI: HITO IMPRESCINDIBLE EN LA TRANSEXUALIDAD
Carla Antonelli, símbolo de la comunidad GLBT española, es una mujer en todo el sentido de la palabra. Pero no siempre fue así. Hasta los 19 años de edad estuvo en un cuerpo ajeno a su espíritu femenino. Vino a Caracas para participar en el VI Foro Social Mundial y para solidarizarse con la causa de Tamara Adrián, transexual venezolana.


Senna bate Schumacher

Não foi uma ideia nada feliz fazer uma sondagem no "site" oficial do alemão Michael Schumacher para saber quem é o melhor piloto de fórmula um de todos os tempos. Aos votantes são dadas três hipóteses: o próprio heptacampeão mundial, Ayrton Senna, ou outro. Para surpresa de todos, e até ao dia de ontem, o piloto brasileiro 'esmaga' Schumacher, com Senna a angariar 79,3% dos votos (respeitantes a 30 972 votos), contra 16,6 do germânico. A opção 'outro' merece apenas 3,9% das escolhas.

Correio da Manhã, de quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2006

Grande Senna, foi e será sempre o campeão do meu coração

terça-feira, Fevereiro 14, 2006

Hoje é dia dos namorados.

O dia de São Valentim.

Um dia criado para o comércio, mais que para outra coisa.

Um dia que marca muita gente.

Um dia em que tod@s gostam especialmente de o passar com quem sentem um sentimento mais profundo.

Um dia em que toda a gente gosta de receber uma lembrança da sua "cara metade".

No entanto, um dia em que, aqueles e aquelas que estão sózinhos, sentem mais essa solidão, com tudo a lembrar-lhes a sua condição, desde a radio à televisão, passando por todos os media.

Um dia em que acresce o peso dessa solidão, tornando-se muito difícil de aguentar.

Um dia em que as viúvas recordam momentos felizes partilhados com quem não mais partilharão que saudade.

Um dia em que nós, transexuais, mais sentimos o peso de termos nascido nesta condição sem nunca o termos desejado. Em que mais sentimos que somos consideradas "diferentes", aberrações, gays efeminados, e mais uma panóplia interminável de epítetos que nos queiram chamar.

Um dia em que os nossos supostos admiradores (leia-se tlovers) correm para casa com um ramo de flores para agraciarem as respectivas mulheres, na esperança de que elas se esqueçam de quaisquer dúvidas ou suspeitas que tenham tido sobre o amor e a fidelidade dos respectivos maridos.

Um dia em que eles, depois do dever cumprido, regressarão aos chats na net e continuarão a debitar frases incongruentes tais como "adoro trans", "olá linda" sem conhecerem ou sequer terem visto uma foto da pessoa com quem teclam.

Um dia em que elas se terão ido deitar, mais satisfeitas pois afinal os esposos ainda as consideram como namoradas, pensando em como tanto trabalham nos computadores.

Um dia como tantos outros afinal, com alegrias e tristezas, encontros e desencontros e as inúmeras casualidades que fazem as noss@s vidas.

E acaba-se desejando que passe depressa, para que venha outro, semelhante em quase tudo, mas em que esse sentimento de solidão não esteja tão vincadamente marcado.

Um dia a seguir a outro...

Um dia...

segunda-feira, Fevereiro 13, 2006

When to reveal bio status remains tough subject for trans people, experts say
By Dyana Bagby
Gwen Araujo died a brutal death.

State's taxpayers paid for a sex change
Auditor questions spending priorities

Trans-Visibility in the Media
by Sheila Gibbons
Transgender identity has been the subject of a number of films and television documentaries in the last few months, suggesting that this aspect of sexuality and gender is at last getting more innovative, more sophisticated, and more sympathetic attention in mainstream media — and finding receptive audiences.

Transsexual and Stuck in Iran
Living on the streets in Mashad, 21-year-old trans man pleads for help
By DOUG IRELAND

Mujer transgénero, primera funcionaría pública de AL
Hazel Gloria Davenport fue contratada como funcionaria dentro del CentroNacional para la Prevención y Control del SIDA. Considera que no hay clóset sexual solamente, sino clósets políticos e ideológicos.

Sex change Angel attacked
By Phil Coleman
A WIGTON student who became the youngest person in Britain to have a sex change has told how she was viciously attacked at Carlisle's Lowther Street bus station.

On Monday 27th March, the ILGA has organized a unique event: A conference solely dedicated to transgender’s people’s rights, with the participation of delegations coming from all over the world.

The Sapporo High Court, in Japan, has recognized a claim by a man with gender identity disorder who sought to be allowed to assume a woman's name in his family register, court officials said Monday.

sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

PHILADELPHIA
Medical Reporter Stephanie Stahl reports on asurgery on the rise, switching genders, or men becoming women and women turning into men. It is a delicate and complicated surgery anda difficult psychological journey.





A LIVERPOOL man's remarkable struggle to be accepted as a woman is set to be made into a major Hollywood movie.


Welsh actress Catherine Zeta-Jones has been lined up to star in the film depicting the life of April Ashley - the first British transsexual.
Born as a boy in Liverpool in Sefton General Hospital in Smithdown Road in1935 and christened George Jamieson, he grew up in extreme poverty in a dockland slum in Pitt Street.
Struggling with his identity, the young George joined the Navy at 14 and, tortured by his desire to be a woman, attempted suicide aged 16 and was held in a high security mental hospital.
But after joining a cabaret show in Paris and having a sex change operation in Casablanca, George became April. April's life story will be given the Hollywood treatment but there will be no need for embellishment to draw in crowds at the cinema.
April, now 70, led her life at the centre of the fashion world and mingled with high society.

She made a name for herself as a top model with vogue, hung out with John Lennon and had nights of passion with Omar Sharif.
In 1983 it was also reported that she spent the night with the late Michael Hutchence, who at the time was 25 years her junior.
Today she still receives Christmas cards from deputy prime minister John Prescott who she once met in a boarding house.
American film producer Mark Sennet has the film rights to a new book released due to be this May entitled First Lady.
Sennet is currently in talks with Catherine Zeta-Jones' agents who it is hoped will play April.April said: "I said in an interview that I would like her to play me in any film about my life. I like to think she epitomises everything I stood for when I was young - which was sheer old-fashioned glamour."


April, who now lives in France, refers to her miraculous journey to be accepted as "My Odyssey" and is glad that her story is being told.
She added: "My childhood in Liverpool was tough. Systematic bullying and taunting about my feminine good looks brought the early and awful realisation that if a person were not what people considered normal then that person was considered a freak"
"However I knew I was a woman and could not live in a male body. "
When she went through with the sex change operation it was still a fairly new procedure and doctors told her she only had a 50 per cent chance of survival. On May 12, 1960, George became April Ashley - named after the month of her birth and the Gone With The Wind character Ashley Wilkes.
April starred in her first movie, Bing Crosby and Bob Hope's The Road to Hong Kong.
But when news of her operation broke, film promoters dropper her name from the credits. In 2004, April was given the right to legally call herself a woman after new government legislation was passed to give transgender people legal equality.
She said: "The term sex change has segued into the politically correct term gender reassignment."
"Public attitudes in the Western world have become non-judgmental and tolerant of sexual differences. Most important, the legal systems of many countries have recognised the rights of transsexuals to appropriate social documentation and to marry and lead socially conventional lives."

quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

La surprise transsexuelle de Tommy Lee


Puerto Rico
Transexual ya puede usar nombre de mujer
Victoria legal para Magaly



Worker's sex change 'not noticed'
A transsexual council worker who said he was discriminated against and made to resign after starting to live as a man in 2002 has lost his tribunal case.


A council worker who claimed he was driven out of his job after changing his name from Andrea to Andy has lost his sex discrimination claim.

A tribunal ruled that bosses at Brighton and Hove City Council could not have discriminated against Andy Baldwin as they did not even know he had changed his gender.

A claim by Mr Baldwin, 34, that he was also unfairly dismissed from his US$26,000-a-year job as co-ordinator of the city's lesbian, gay, bisexual and transgender safety forum was also thrown out in the ruling published yesterday.

Mr Baldwin told the tribunal hearing in November that colleagues became suspicious and uneasy when he started living as a man in 2002, saying he was forced to resign in January 2003 because he felt unsafe working for the council as a transsexual.

He accused his bosses of transphobia - a fear of transsexuals.

But the council insisted that Mr Baldwin's line-manager, and all his senior colleagues, were not aware the applicant was undergoing a sexchange.

Mr Baldwin gave evidence at the tribunal with a beard as a result of monthly hormone injections that have also lowered the pitch of his voice.

Today Sue John, deputy leader of the city council, said: "I am pleased with the judgment, which I think is an accurate reflection of events".

"The council is well aware of its responsibilities to all sections of the city's diverse population".

"Unfortunately, the unfounded claims made at this tribunal were potentially damaging to the council generally and to certain individuals in particular".

"Our head of community safety Linda Beanlands was subjected to a particularly needless and unpleasant attack. Her reputation as one of the council's most caring managers and one of the city's greatest champions for equality is restored."



Between a woman and a man
Felicity Huffman on the bending of genders in 'Transamerica,' life as a 'Housewife' and a mom
By Glenn Whipp, Film Writer



February 08 , 2006 -- On behalf of Sarah Blanchette, a transgender woman, GLAD has settled a lawsuit against St. Anselm College of Manchester, New Hampshire on mutually satisfactory terms. The college fired Ms. Blanchette, a computer programmer, in April 2004, after learning that she would be transitioning from male to female.


January 27, 2006 -- The Internal Revenue Service has released a Chief Counsel Advice Letter in the case of GLAD's client Rhiannon O'Donnabhain, denying a deduction of medical expenses for her sex reassignment surgery on the grounds that it is cosmetic and not medically necessary. “We're disappointed with this recent decision, which runs completely counter to medical evidence,” said GLAD Attorney Karen Loewy. “We will mount a strong challenge and are hopeful that a court will throw out this terrible decision.”


terça-feira, Fevereiro 07, 2006


Justo en el momento en el que se disponía a regresar a su casa luego de una larga jornada de parranda, fue ultimado de cuatro tiros Deudedis Douglas Carrasquero Díaz, de 26 años de edad, en la calle 115 del barrio 23 de Enero, en el sector Haticos por Arriba de Maracaibo
Queria ser quem afastasse de ti os teus medos, as tuas angústias, com palavras doces e carinhosas, quem te pusesse em paz com o teu íntimo
Não sou

Queria ser quem afastasse de ti as negras nuvens do desespero que teimam em imiscuírem-se na tua vida não te deixando descansar nem aproveitar o sol que brilha e aquece os corações
Não sou

Queria ser quem te desse o amor que tanto necessitas, profundo e verdadeiro como a mais cristalina das águas filtrada pelas agruras da vida, jorrando límpida e pura da nascente
Não sou

Queria ser quem partilhasse as tuas alegrias e tristezas, rindo com o teu sorriso e juntando as minhas lágrimas às tuas
Não sou

Queria ser quem te desse a estabilidade física e emocional para que finalmente vivesses a tua vida em pleno, cheia e boa como mereces
Não sou

Queria ser quem te desse a razão de viver, por quem sentisses falta quando não estivéssemos a partilhar um mesmo espaço ao mesmo tempo, para que a alegria do reencontro fosse algo extasiante de felicidade
Não sou

Não queria ser quem fosse indiferente a tudo que foi descrito atrás, insensível e fria como um bloco de cimento dos que nos rodeiam diariamente, tornando frios os dias e noites que passamos no meio deles
Também não sou
E isso dói...

E assim resta-me dar-te toda a amizade que puder, todo o carinho que puder, na esperança que de algum modo possa mitigar as tuas necessidades, para que possas ir aguentando o dia a dia até encontrares esse alguém, e então entregar-me novamente à solidão que infelizmente teima em regressar continuamente, inexoravelmente...

DUCAN TUCKER
Conférence de presse du film Transamérica
Conférence de presse, à l'occasion du festival de Deauville 2005, retranscrite par Alexandre JUMEL

Duncan Tucker réalisateur et scénariste de son premier film Transamerica, est né en Arizona. Etudiant, il réalisera un court métrage The Mountain King. Ayant une énergie débordante il écrira ensuite des nouvelles et débutera une carrière de peintre et de photographe. Certaines de ses œuvres sont exposées dans des galeries new-yorkaises.

A Japanese court rejected a male-to-female transsexual's request to change her officially registered sex because she already has two children who were born before the operation, a news report said Monday.

The Gifu prefecture (state) family court on Jan. 16 turned down a sex change registration request filed by Atsuko Mizuno, 44, Kyodo News agency reported Mizuno as saying. Gifu is located 274 kilometers (171 miles) west of Tokyo.

Mizuno said the court denied the request because the 2004 law permitting changing one's registered sex stipulates that the individual must be unmarried with no children, Kyodo reported.

Family court officials declined to comment on the report, citing privacy concerns.

The 2004 law allows people to change their registered sex if they've had a sex-change operation and have been diagnosed by at least two doctors as having gender-identity disorder.

Applicants must be aged 20 or older, unmarried with no children and not be able to reproduce.

The rationale for including the stipulation regarding children is that children would be confused should a parent change his or her registered sex, according to the home page of a transgender support group that Mizuno co-leads.

Mizuno filed the request because she wanted to demonstrate "that it is the legislation and the family court ruling that are making things confusing," she said according to Kyodo.

Mizuno was married and had two children before being diagnosed with a gender identity disorder in 2001 and undergoing a sex-change operation, the agency said.

Mizuno and the children's mother are divorced, the report added.

A Japanese court granted a transsexual's sex change registration request for the first time in July 2004, shortly after the new law was implemented.

segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

domingo, Fevereiro 05, 2006


Un viejo cliché definía a la persona transexual: un ser atrapado en un cuerpo que no le corresponde; otro más confundía las categorías de travesti y transexual, lo que libremente se aparenta ser y lo que más allá de las apariencias señala el drama de una fisiología indeseable. El siguiente reportaje aborda, a partir de testimonios directos, la complejidad del asunto.

sexta-feira, Fevereiro 03, 2006

Justiça permite mudança de nome para transexual. A juíza Iasodara Fin Nishi, da Vara de Registros Públicos de São José (SC), autorizou a mudança de nome de um homem que fez cirurgia para mudança de sexo. Com a decisão, Marcelo passará a se chamar Marcela.

La madre de "Nati" quiere un juicio político por prohibir cambio de sexo La madre del joven cordobés de 15 años que se siente una mujer atrapada en un cuerpo de otro sexo advirtió que podría arremeter contra una funcionaria judicial local por discriminación

Gender reassignment surgery is easy for modern medicine, but the new life it brings remains a problem for Vietnamese living in a society with traditional views on sexual identity.
Na foto, Nguyen Thai Tai, o primeiro caso de redesignação sexual no Vietnam.

Four male Wisconsin prisoners who are trying to become women will continue receiving hormone treatments until at least August despite a state law prohibiting the practice, which took effect last week.

April Ashley: She was the first Briton to undergo a sex change - and now, 46 years later, April Ashley can legally call herself a woman. As Hollywood prepares to turn her remarkable life into a film, Terry Kirby hears how she bedded Michael Hutchence and gets Christmas cards from John Prescott

quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

E aí está. Foi hoje, por volta do meio-dia que se souberam os nomeados para os tão esperados Óscares deste ano (Quem quiser ver a lista inteira, clique aqui. Além da listagem, em cada nomeação têm links para ver trailers dos filmes e informações várias). E como já se esperava, "Brokeback Mountain", o já tão premiado filme de Ang Lee, levou logo com oito nomeações, entre as quais melhor filme, melhor realizador e melhor actor principal.

Mas o destaque vai é para o filme "TransAmerica", infelizmente só com duas nomeações: melhor actriz principal e melhor canção.

Pois é, desde 1992, em que foi nomeado para melhor actor secundário Jaye Davidson pelo seu papel de uma transexual de nome Dil, no filme de Neil Jordan "The Crying Game", que a transexualidade andava arredada dos Óscares (Salvo no filme de Almodóvar "Todo sobre mi madre" que ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro, com Antonia San Juan a fazer um papel de uma transexual, Agrado, sendo ela própria trans.)

Agora temos Felicity Huffman, já sobejamente conhecida pelo seu papel na excelente série "Desperate housewives" nomeada para melhor actriz principal pela sua admirável interpretação de uma transexual pré-operada. Como se sabe, Felicity já ganhou o Globo de Ouro na categoria similar.

A outra nomeação de "TransAmerica", melhor canção original, com o título de "Travelin' Thru", tem a autoria de Dolly Parton na música e letra.

Finalizo desejando que "TransAmerica" ganhe pelo menos o Óscar de melhor actriz principal. Pelo trailer, tanto o filme como a Felicity o merecem.