Transfofa em Blog

Um espaço especial e pessoal, para dar relevo a cada momento único - Bem Vind@ ao meu Blog!

sábado, Fevereiro 25, 2006

Assassínio
Desta vez em nossa casa, aqui no pacato Portugal, de onde líamos muitas e variadas notícias sobre casos similares, mas sempre "lá fora".
Pois bem, o "état de grace" acabou. Tal como com as torres gémeas nos EUA, também aqui se acabou com o mito que estas coisas só acontecem aos outros.
Desta feita, tocou-nos a nós.
Gi, uma transexual brasileira que habitava no Porto e que foi das pioneiras dos espectáculos de travesti, foi violentamente assassinada, com requintes de malvadez, por um grupo de adolescentes. Pedradas, murros e sabe-se lá que mais.
A partir de agora, já não basta lutar contra a homofobia, a transfobia fez a sua entrada.
Que a Gi descanse em paz.


Para Gisberto há muito que ficara para trás o glamour das noites do Porto, onde desfilava clássicos como Marylin Monroe ou o musical Cats em casas como o Moinho de Vento, Bustus ou Sindicato, referências da noite gay. O brasileiro, de 45 anos (segundo o comunicado da PJ), foi um dos pioneiros do circuito travesti da cidade, mas "há muito que não se sabia dele", disse ao DN um elemento da comunidade travesti local. (um pequeno background sobre a Gi).

"Acção inconsciente"

O Público de hoje é uma pérola sem igual:
- chama "homem vestido de mulher" a uma transexual
- cita a polícia dizendo que esta acredita que se tratou de uma "acção inconsciente" por parte dos jovens. Foi inconsciente moerem-na de pancada todos os dias aos gritos de "paneleiro", como nos relataram ontem pessoas que a acompanhavam num projecto de apoio à prostituição?
- O José Manuel Fernandes consegue chorar lágrimas de crocodilo pela morte, omitindo, claro está, qualquer referência à motivação homofóbica.
Porra para isto!
(Comentário de Sérgio Vitorino via El Gêbêtê)

Comunicado de Imprensa
da ªt. Associação para o estudo e defesa do direito à identidade de género

A “ªt.” repudia a forma brutal como a transexual Gisberta foi barbaramente assassinada no Porto por um punhado de adolescentes, que supostamente, face aos dados já conhecidos, cometeram um crime, não só cruel, como premeditado e continuado.

Por outro lado a “ªt” vem também publicamente, lamentar a forma como de um modo geral a comunicação social tem tratado este caso, inclusive alguns comentadores altamente responsáveis, demonstrando uma total e flagrante ignorância sobre as diferenças na terminologia que diferenciam travestis de transexuais, para não falar no cúmulo de alguns cabeçalhos que lhe atribuem descaradamente o género de homem sem atender à especificidade da pessoa em causa.

A “ªt.” preocupa-se com os discursos enunciados posteriormente por alguns funcionários de instituições sociais, que possam transparecer qualquer sentido de desculpabilização do acto perpetrado pelos adolescentes e cuja forma continuada demonstra claramente a intencionalidade do crime.

A transexual Gisberta, devido ao seu estado extremamente crítico, em que se encontrava nestes últimos tempos, estava em fase de acompanhamento por parte da associação Abraço e da “At.” e surpreende-nos que, tendo em consideração o seu estado de saúde profundamente débil, estivesse em condições físicas e psicológicas de enfrentar, confrontar e provocar um grupo alargado de jovens aparentemente saudáveis.

A “ªt”. lamenta profundamente o desenrolar desta situação, que cremos, deveria levantar outras questões de maior profundidade em matérias tais como o acompanhamento geral dos adolescentes em causa, as instituições em que se encontram inseridos, a responsabilidade e indiferença da sociedade no seu conjunto, e o desconhecimento generalizado na informação que a comunicação social fornece, particularmente neste caso, e que denigre ainda mais a situação, por si só, já extremamente sensível da pessoa assassinada, ajudando a fomentar a ignorância que a população em geral tem sobre a realidade em que os transexuais vivem.

Mas em definitivo, e o mais importante a realçar agora, é de que nada justifica este acto criminoso perpetrado contra um ser humano, independentemente da sua condição social, actividade, orientação sexual e inclusivamente de identidade de género.

Lisboa, 24 de Fevereiro de 2006.

Jó Bernardo

Pela Direcção

Comunicado: Morte violenta de transexual no Porto

24 de Fevereiro de 2006

A rede ex aequo vem por este meio manifestar a sua indignação e condenar os actos dos jovens que conduziram à morte de uma cidadã transexual no Porto, no passado fim-de-semana.

Embora ainda não seja do conhecimento público as motivações dos jovens é fácil inferir que ser uma cidadã transexual, toxicodependente e sem-abrigo terão constituido factores (também) propulsionadores deste acto violento, com particular destaque para o primeiro dos factores enumerados.

Não só o artigo 13º da Constituição Portuguesa, sobre o príncípio da igualdade, peca ainda pela grave ausência da identidade de género no mesmo, mas também urge, sem falta, como nos demonstra este caso, que seja implementada uma lei contra crimes de ódio por motivos transfóbicos e homofóbicos.

Vivemos numa sociedade que não sendo perfeita, se quer cada dia mais justa e humana. É fundamental que estas alterações sejam introduzidas na lei de modo a criar mais meios que procurem evitar que mais seres humanos sejam vítimas de crimes hediondos como este.

A Direcção da rede ex aequo