Transfofa em Blog

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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

E na sexta-feira, dia 22 de fevereiro de 2008, lá se realizou a audição parlamentar com que o Bloco de Esquerda (BE) homenageou a memória de Gisberta, dois anos depois da descoberta do seu maltratado corpo num infecto buraco de um prédio supostamente em construção no Porto.

Abriu o debate o deputado do BE, José Soeiro, agradecendo a participação e querendo informações do estado das coisas em Portugal sobre a transexualidade.

Dando voz aos presentes, iniciou-se a audição com Lara Crespo, activista independente, que discursou sobre a necessidade de uma lei de identidade de género em Portugal, da necessidade da inclusão da identidade de género no Artº 13º da Constituição, dos porquês de não concordar com uma despsiquiatrização total, da necessidade de combater a transfobia e a homofobia e da necessidade da inclusão da transfobia nos crimes de ódio.

Seguidamente falei eu, Eduarda Santos, activista independente, concordando com o que a Lara tinha dito e acrescentando uma ou outra coisa que me veio à cabeça na altura. Neste momento só me lembro de ter mencionado a necessidade de uma educação sexual nas escolas como meio de se acabar com as fobias.

Laetitia, do Movimento Panteras Rosa, discursou sobre as identidades trans, referindo a posição do movimento face à despsiquiatrização (despatologização) total destas mesmas identidades.

Bruno Maia, dos Médicos pela Escolha, falou da necessidade de preparação da classe médica para lidar com este tipo de casos e da efectiva necessidade de legislar sobre o assunto.

Isabelle, activista trans francesa, falou sobre a maneira como a transexualidade é encarada tanto em França como na Bélgica, de maneira que se ficou a saber que mesmo em países supostamente mais avançados que o nosso ainda há muito por fazer.

Eva Russo, da Opus Gay, discursou sobre como o tratamento oferecido às pessoas transexuais no Hospital de Santa Maria é exemplar, tanto a nível cirúrgico como a nível psiquiátrico, de como já não existe discriminação em Portugal, e de como já não ser necessário fazer nada, pois já se devia ter feito há 20 anos atrás, que agora já não valia a pena, salvo legislar uma lei de identidade de género.

Supostamente, a ideia era ouvirem-se as posições das pessoas activistas trans. Como tal, a Opus Gay decidiu, unilateralmente pareceu-me, convidar médicos (um cirurgião e um psiquiatra) do Hospital de Santa Maria. Ignora-se porque não foram convidados também profissionais dos Hospitais da Universidade de Coimbra e do Hospital Júlio de Matos.

De seguida, foi a vez do Dr. Décio Ferreira falar de sua justiça. Onde se ficou a saber que é natural demorar-se, por exemplo 7 anos (ou quem sabe até mais) num processo, pois tem que se despistar algumas patologias (deu como exemplo a esquizofrenia), que para solucionar os problemas trans bastava fazer e/ou alterar uma lei que permitisse mudar o género e o nome nos documentos oficiais (não especificou se a CRS [Cirurgia de Redesignação de Sexo] seria item obrigatório), que a despsiquiatrização total acabaria automaticamente com as cirurgias no SNS (com o que também concordo), e que sim, a transexualidade e que, consequentemente, as pessoas transexuais são doentes.

Bem, com as posições tomadas pela Opus Gay já eu tinha ficado a ferver. Com estas opiniões do Dr. Décio sobre a transexualidade fiquei chocada. Chocada porque nunca me pareceu que, depois de tantos anos a cuidar destes casos, ainda lhe restasse alguma dúvida sobre a “grave doença mental” que é a transexualidade. Não lhe retiro os créditos como cirurgião e como pessoa que se preocupa com os seus pacientes, mas, e depois de conversas que tinha tido e assistido com ele, nunca esperaria uma destas. Inscrevi-me logo para falar.

Ainda falou, ou tentou falar o Dr. Lourenço, psiquiatra do Hospital de Santa Maria, que tinha decidido ler um documento escrito por ele sobre o que era a transexualidade. Devido a uma imperiosa necessidade de se fechar a sala à hora prevista, não o conseguiu na totalidade.

Eu voltei a ter a palavra para exemplificar o que se passa no Hospital Júlio de Matos, para reiterar que uma pessoa transexual NÃO é doente, que essa classificação só é aceite na medida em que nos proporciona as cirurgias necessárias, para exemplificar os métodos seguidos pelos profissionais no decorrer do processo psiquiátrico, dito pelos próprios representantes numa das duas reuniões da ILGA em frente a toda a gente que lá estava (o negar da transexualidade propositadamente aos pacientes, como método de selecção, quem aguenta, é trans e continua, quem se sente ofendido, desiste, logo não é transexual), de como as pessoas transexuais devem estar unidas e fora das associações LGBT, pois como (não) trabalham de costas voltadas umas às outras, acabam por passar esse “modelo” às transexuais (o Dr. Décio também mencionou este facto).

Acabou-se a audição com uma curtíssima intervenção de Bruno Maia, que inquiriu aos representantes de Santa Maria se para se diagnosticar uma esquizofrenia também eram necessários 7 anos.

E depois saímos. Como notas finais, aviso que não foram distribuídas folhas com os participantes, portanto se algum nome estiver incorrecto, ou se alguma associação não foi mencionada, as minhas mais humildes desculpas. Também se impõe a pergunta: como a representante da Opus Gay disse que não havia discriminação, os tratamentos eram bons e agora não faz falta quase nada, sobre que versaria a lei de identidade de género que defendeu? Outra nota que se impõe: todas as associações presentes entregaram trabalhos sobre a transexualidade que não foram previamente conhecidos dos participantes, dando a (real e verdadeira) impressão que anda toda a gente a fazer coisas em NOSSO nome sem nos darem conta. Um péssimo exemplo e uma péssima maneira de trabalhar.

Como nota final, destaca-se a ausência da representante da ILGA, que foi ouvida em separado no dia anterior. Fomos informados deste facto no início, que a Luísa Reis não iria estar presente por ter um evento nessa sexta (ou pelo menos foi isso que depreendi). Como é que uma associação como a ILGA não teve ninguém para estar presente? Com tanta gente que faz parte dela? Duvido muito que a Luísa seja a única pessoa a poder representar a ILGA. Aliás, na segunda reunião organizada pela associação com a equipe médica do Hospital Júlio de Matos, estava também um transexual masculino na mesa. Portanto só posso interpretar isto como uma fuga ao debate, como uma maneira de tentar afastar quem não seja da ILGA destes processos.

Antes do Verão do ano passado, depois de ter estado a trabalhar com as Panteras e outras trans independentes sobre a proposta de lei de identidade de género da ILGA, foi mandado um email para as mailing lists das associações a convidar para debates sobre este assunto. NEM UMA RESPONDEU. Pergunto-me: como podem estas associações ter o desplante, a desfaçatez de quererem falar pelas pessoas transexuais, se nem sequer aceitam trabalhar com as mesmas? Devemos aceitar isto? Eu digo NÃO! E talvez por isto inscrevi-me na mailing list do GRIT da ILGA assim que foi formado e até hoje nem um email recebi. Como exemplo de uma associação aberta ao diálogo e como o GRIT seria supostamente aberto a quem se interessasse por este tema, parece-me que fui censurada. Será?



[Portugal]
Discriminação contra transexuais em Portugal chegou ontem à Assembleia da República através do Bloco

23.02.2008, Ana Cristina Pereira/Público edição impressa

Houve audição parlamentar promovida pelo Bloco de Esquerda, como que a assinalar os dois anos decorridos sobre a morte de Gisberta, a transexual morta por um grupo de rapazes no Porto. Pela primeira vez, activistas transgénero eram convidados a exprimir-se na Assembleia da República sobre a discriminação que afecta este grupo específico de cidadãos.
A atitude, num país que "não assume ainda a necessidade de reconhecimento e protecção do direito à identidade de género", alegrou activistas como Sérgio Vitorino, do Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia. Afigurou-se-lhes como um caminho para encontrar algumas soluções.
Entre os aspectos abordados ao longo de duas horas e meia de audição, o deputado bloquista José Soeiro destacou o referente ao registo civil. Como há um buraco legal, o "trans" tem de processar o Estado para mudar de nome. E só o pode fazer depois de concluir o processo clínico.
Uma mudança arrasta-se, às vezes, "cinco, seis, sete, dez anos, incluindo o período de tratamentos harmonias, de intervenções cirúrgicas, sem que haja um documento legal de acordo com o género em que a pessoa vive". Com uma aparência de mulher e um bilhete de identidade de homem (ou vice-versa), o transexual é empurrado para o desemprego. A inserção laboral complica-se de tal forma que muitos acabam por enveredar pelo mundo do espectáculo, pelo mundo da noite, não por gosto mas por sobrevivência.


[Iraq]
Heartbreaking Video of Iraqi Transwoman’s Abuse
Excerpt: "The video, apparently made by police for their amusement, is disturbing in the fact that in addition to showing the police standing around and laughing and making crude remarks in Arabic about Ali's sexuality, it is also dubbed with hate and revenge music in Arabic," Hili said.



[Turkey]
Hard being a transsexual in Turkey
It seems really hard to be a transgendered in general and transsexual in particular here in Turkey. Last night our wonderful host told us about a gay club here in Ankara where transgendered people were not allowed. It was really surprised since I would have easier to understand if transgendered are not allowed in men or women-only clubs. That was the case in Sweden ten years ago but fortunately that has changed now. However, it turned out that the situation here in Turkey means that it is virtually impossible for transsexuals to get employed even if they have a university degree. Instead they are forced to work as sex workers. So this club just had a policy of not wanting sex workers to sell their services in the club and therefore denying them access. There is also a big problem of transgendered people being harrassed and beaten since some people think they have a right to kill them.

[TX, USA] [Blog/Commentary]
Austin Texas Vigil for Lawrence King/Hear our voices
The sweet breeze brought the normal sounds of a warm Texas evening. The snow birds were singing and children playing. Above this, voices were heard. Our voices. A community brought together because of the murder of a gender variant child, by another child.
Classmates, friends of victim and suspect in Oxnard school shooting struggle to understand
The text messages started soon after the shooting stopped. E.O. Green School students huddled behind locked classroom doors and messaged one another about what had happened in Room 42. Minutes after school had begun Feb. 12, classmate Larry King was shot in the head.

[FL, USA]
Finding one's self: What is life like for the transgendered?
One secretly donned his mother's clothes. Another spent 20 years in the military battling a feeling that something "wasn't right." A third always hoped friends in college would suggest a drag-queen Halloween costume.
Photo: BRANDON KRUSE/The Gainesville Sun
Michelle Phillips loads a needle with an injection of estrogen to be given to her along with progesterone to help with her transition from a male to a female.

1 Comments:

  • At 03 setembro, 2008 05:03, Blogger Kelli Busey said…

    I am outraged by the mistreatment of transgender in Turkey. My heart gos out to that poor person getting her head shaved. I am sad. Thank you for being so brave.

     

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